sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Um pouco de História


Apartheid

Em 1497 os portugueses com uma expedição de Vasco da Gama, quando iam para a região das Índias, mapearam o que mais tarde corresponderia ao território da África do Sul, entretanto não influenciando na segregação social ocasionada pelo apartheid. A origem do Apartheid é bem mais antiga do que possamos imaginar e se inicia no período da colonização sul africana. Os colonizadores boers (holandeses) estabeleceram-se através da Companhia Holandesa das Índias Orientais na região do Cabo, no extremo sul do país. Esses colonizadores expulsaram os nativos africanos de suas terras, dando assim início ao processo de segregação racial.
A colonização holandesa se inicia em 1652, os funcionários da Companhia das Índias se estabeleceram para abastecer os navios que atravessavam por aquelas terras, com suprimentos alimentícios e de outros gêneros. Estes holandeses eram assalariados mais desejavam estabelecer relações de troca com as populações nativas, o que em suas condições era inviável. Por estas razões, no século XVIII os colonos holandeses viram seus anseios serem atendidos ao dominarem a região da África do Sul. Assim, estabeleceram relações comerciais, com uma participação na administração do território, transformando-se nos primeiros colonizadores a explorarem realmente esta região.
Estes colonos dividiram-se em colonos urbanos, formando uma burguesia comercial e colonos rurais, formado por grandes latifundiários. A partir deste período surge por parte destes uma necessidade de construir uma nova vida. Estes colonos tinham por religião o calvinismo protestante. Sendo este fator religioso o principal aglutinador dos holandeses, garantindo assim maior unidade em sua forma de colonizar.
Após a Revolução Francesa, a Companhia Holandesa das Índias Orientais, temendo o tráfico entre os oceanos Atlântico e Índico pediu proteção aos ingleses. Estes passaram a ocupar a colônia holandesa. Sendo que só em 1803 os boers recuperaram a colônia e voltaram a ocupá-la. Ainda assim a influência inglesa era muito forte, sendo que a luta pela estratégica região do Cabo se desenvolveu por todo o século XVIII entre os boers e os ingleses.
Além disso, a resistência africana, de diversas comunidades que ali habitavam antes da colonização, dificultava esta dominação estrangeira. É o caso dos xhosas, que possuíam uma organização social baseada na tradição guerreira e os zulus que resistiram em vários momentos e ao longo dos séculos XVIII e até mesmo XIX. Sendo assim os sul-africanos não estiveram passivos a esta disputa dos colonizadores. Colonizadores esses que por pouco tempo demonstraram alguma tolerância com as comunidades africanas, dando espaço assim que puderam a violência, a escravidão e a exploração de matérias primas.
As lutas entre ingleses e holandeses, facilitaram a expansão colonial para as diversas regiões do país. A colonização inglesa, entretanto, já vinha se sobrepondo a holandesa, inclusive pelas modificações que ocorreram. Como por exemplo, a implantação inglesa de um sistema judicial na região, a legitimação de cargos administrativos a ingleses, o incentivo a imigrantes da Grã Bretanha para a África do Sul, a abertura do mercado para produtos industrializados, a extinção da escravidão, etc.
Os holandeses, em menor número, começaram a estabelecer uma colônia, que denominaram de Orange, após enfrentarem a resistência dos bantos que residiam naquela localidade. Estes possuíam um modo de colonizar diferente dos ingleses, inclusive por dependerem da mão de obra escrava dos nativos, para a extração de matérias primas. Os conflitos, entretanto, não deixavam e existir. E estas lutas entre ingleses e holandeses, denominada Guerra dos Boers durou de 1899 até 1902. Onde por fim as últimas tentativas dos boers (holandeses) de reconquistarem a África do Sul se vêem em derrocada, sendo os ingleses os colonizadores predominantes a partir de então.
Para conciliar os diferentes interesses coloniais, as diferentes formas de administração estrangeira, na África sul-africana, os ingleses decidem pela formação de uma federação. As regiões dos rios Transvaal e Orange, já se denominavam Estados livres, e eram submetidos aos holandeses, e, com a federação permaneceriam agregados ao país. Bem como as regiões do Cabo e de Natal, também já Estados livres, permaneceriam sobre o domínio inglês, dentro do território sul africano. Esta federação seria denominada nação africânder. E a partir de então é que se tem uma maior segregação social por parte dos brancos colonizadores em detrimento dos negros africanos nativos. Daí, dar-se início de fato ao sistema que seria conhecido como Apartheid.
É importante salientar que a luta entre ingleses e holandeses se intensificou com a descoberta de jazidas de pedras preciosas e diamantes (até hoje a África do Sul é um dos maiores países produtores dessas pedras), na região do Orange e do Transvaal. E devido a este fator os ingleses se interessaram mais por esta região que estava sob a direção holandesa. Neste período da história os ingleses, já teriam passado pela I Revolução Industrial e o imperialismo britânico já era um sistema sólido, só que em pleno século XIX, sua balança comercial estava deficitária. E a descoberta dessas riquezas africanas poderia ajudar a equilibrá-la novamente.
A exportação das pedras preciosas e dos metais exigia uma grande transformação, sendo que a África do Sul deixaria de ser uma exportadora de produtos manufaturados para se transformar em uma exportadora de capitais. Os ingleses não acreditavam que os agricultores holandeses possuíssem condições de investir nesta mudança e desejavam assumir todo o comércio do país. Segundo Marta Maria Lopes:
“(...) Os bôeres queriam implantar a sua forma específica de administração, ou seja, manter os substanciais recursos que os ingleses obtinham do sistema de concessões (venda a empresas privadas do monopólio da fabricação de produtos industriais indispensáveis à exploração mineira), mas almejavam obter uma cota muito maior das concessões de exploração das minas, em forma de renda, que permitisse aos agricultores perpetuar sua forma arcaica de exploração da terra. Enfim, os bôers não pretendiam que a mineração alterasse os modos de vida. (...)” (LOPES, Marta Maria. O Apartheid. Pág.17).
Sendo assim, as lutas se sucederam até culminar na formação da federação, a qual a Grã- Bretanha
“(...) concederia independência as quatro colônias na região, que constituiriam União Sul-Africana (...)” (MENDONÇA, Marina, Gusmão. Histórias da África. Um caso Particular dilemas da África do Sul Contemporânea. P. p. 205),
No ano de 1910. O conceito de nação africânder se estabelece. Segundo Marina Gusmão de Mendonça:
“(...) a população africânder branca passa a construir uma ideologia segregacionista e a criação de uma estrutura jurídica com o intuito de favorecer a minoria branca no país. (...)” (MENDONÇA, Marina, Gusmão. Histórias da África. Um caso Particular dilemas da África do Sul Contemporânea. P.p. 205).
Sendo assim, criado o conceito do Apartheid. A África do Sul passaria a ser considerado como:
“o único país do mundo em cuja Constituição está escrito o racismo, assim proclama o Comitê Especial da ONU contra o Apartheid.” ( PEREIRA, Francisco José. Apartheid: O Horror branco na África do Sul. P.p. 25).
A ideologia do apartheid estaria regimentada então, no século XX, para que se manifestasse a proteção e o favorecimento da minoria branca, revelando que, com o passar do tempo, a segregação dificultaria ainda mais a vida do negro. Constituindo um regime político onde os colonizadores europeus tutelariam a África do Sul. E sua posição eurocêntrica prevaleceria, em detrimento dos costumes e da história das comunidades africanas que ali habitavam.
A minoria branca, segundo Serrano e Waldeman, representavam 16% da população e controlavam 75% da renda nacional, já os negros que são os nativos e maioria são a mão-de-obra não qualificada e que tinham um papel essencial na vida braçal do Estado. Como forma segregacional, o negro teve negado o direito de voto e representação parlamentar, sendo reduzido em países falsamente independente e com controle do governo, numa forma de sempre conter e policiar os movimentos que viessem a surgir.
Marta Maria Lopes, coloca que são três componentes principais que irão difundir as práticas do Apartheid, a língua africânder, elemento de unificação da sociedade, que possibilitaria o maior domínio por parte do brancos europeus, a religião protestante calvinista, que trazia uma ideologia determinista, e a história que os colonizadores modificaram para atender aos seus interesses.
A língua era uma maneira de controle social, e uma forma de reprimir resistências dos sul africanos, que eram incumbidos de aprender esta maneira de se comunicar. Para se adequarem, assim, ao sistema pelo qual foram submetidos. Já a religião estava diretamente relacionada à história que os europeus tentaram oficializar, e a como eles se consideravam diante dos nativos africanos.
Os holandeses de origem calvinista acreditavam que aquela terra era uma “Terra Prometida” e que eles eram o povo prometido a esta região, assim uma população superior aos khois (nativos), e estas idéias logo foram difundidas pela África do Sul, e utilizadas como bases ideológicas do Apartheid.
Regimentavam esta ideologia através da fé cristã no Antigo Testamento, descrita na epopéia de Noé. Segundo Marta Lopes,
“Para justificar a escravidão dos negros e o desenvolvimento separado, os teólogos africânderes utilizaram muito o tema do castigo de Cam (filho mais novo de Noé e pai de Canaã), colocando-o como o progenitor da raça negra. O livro do Gênesis conta-nos como Noé, pai de todas as nações (...), se embebedou e foi visto nu pelo seu filho Cam (...). Noé ao acordar de sua bebedeira, soube o que fizera seu filho mais novo e amaldiçoou-o; desejou que ele se tornasse para seus irmãos o último dos escravos. (...). (LOPES, Marta Maria. O Apartheid. Págs. 32 e 33).
Fazendo assim de Cam o progenitor da raça negra, “os africânderes incorrem num eurocentrismo exclusivista que foi comum no século XIX e que ainda hoje não desapareceu” (LOPES, Marta Maria. O Apartheid. Pág.33).
O que esta minoria branca justifica e tráz para a história que queriam agregar à África do Sul é a idéia de que eles seriam o povo que veio para “salvar” os africanos, civilizando-os e guiando-os para um caminho de paz. Este “povo escolhido”, assim, não podia se misturar com os “impuros”, ou seja, procriar com eles, e tinha o direito à terra de forma inalienável, para construir a “Terra prometida, dada por Deus” (LOPES, Marta Maria. O Apartheid. Pág.17).
A igreja africânder passar a dominar a vida política, por serem responsáveis de disseminar esta ideologia entre os brancos e efetivar as práticas do Apartheid. E muitas delas foram de extrema importância para a história da segregação racial neste país. Lideres religiosos ocuparam cargos políticos, divulgavam estas idéias e estabeleceram leis e normas de conduta entre, brancos, negros e indianos. A Igreja e o Estado caminhavam juntos para a institucionalização do Apartheid.
A partir de 1921 a União Sul-Africana passou a ser reconhecida como República Livre diante da Comunidade Britânica das Nações, em 1934 abole-se a cidadania britânica e cria-se a nacionalidade sul-africana. E em 1936 um africânder é nomeado como governador do domínio pelo governo britânico. Mas foi somente em 1948, com a vitória do Partido Nacional (PN) que o apartheid se estabelece oficialmente na África do Sul, representando os interesses das elites brancas e eliminando integralmente por um longo tempo alguns direitos políticos e sociais que ainda existiam em algumas províncias sul-africanas.
Mas, as leis começaram a vigorar mesmo antes desse governo mais radical do Apartheid. Em 1913 foi criada a Lei de Terras Nativas que restringiu a área para a ocupação africana e separou os arrendatários de suas terras, sendo apenas 13% das terras reservadas aos negros. Esta Lei da Terra dividiu a África do Sul em áreas em que só os brancos podiam ter terras separadamente da área dos negros.
Os negros que constituíam dois terços da população ficariam com o direito a 7,5% da terra, enquanto os brancos, que eram apenas um quinto da população, ficariam com direito a 92,5% da terra, e os mestiços não tinham direito a posse da terra. Esta Lei determinava igualmente que os africanos negros só poderiam viver fora de suas terras quando empregados dos brancos.

Em 1923, estabelece a segregação racial em áreas urbanas, provocando o deslocamento dos povos não brancos para reservas isoladas dentre elas estava à reserva dos bantustões, um confinamento delimitado para a população negra dentro da África do Sul. Outras leis também são de extrema importância neste período como a lei de proibição do casamento misto, em 1949.

Segue aqui as principais Leis do Apartheid:
• Lei da Imoralidade, tornando ato criminoso uma pessoa branca ter relações sexuais com uma pessoa de raça diferente.
• Lei de Registro Populacional, que requeria a todos os cidadãos um registro racial, negros, brancos e mestiços.
• Lei de Supressão ao Comunismo, que bania qualquer partido de oposição ao governo que o governo decidisse catalogar como "comunista".
• Leis de Áreas de Agrupamento, o acesso restrito de pessoas de algumas raças há varias áreas urbanas.
• Lei da Auta-determinação dos Bantos, esta lei estabelecia os chamados "bantustões" para dez diferentes tribos africanas de negros, onde podiam residir e ter propriedades.
• Lei de Reserva de Benefícios Sociais Separados, que proibiu pessoas de diferentes raças de usar as mesmas instalações públicas, como bebedouros, banheiros, etc.
• Lei de Educação Banta, que trouxe várias medidas explicitamente criadas para reduzir o nível da educação recebida pela população negra.
• Lei das Minas de Trabalho, que formalizava a discriminação do emprego.
• Lei de Promoção do Autogoverno Negro, que criou "pátrias" nominalmente independentes para pessoas negras. Na prática, o governo sul-africano tinha uma influencia forte sobre os "bantustões”.
• Lei da Cidadania da Pátria Negra, que mudou o estatuto dos nativos das "pátrias" de forma que eles não fossem mais considerados cidadãos da África do Sul, não tendo assim nenhum direito associado a essa cidadania.
A partir de então, o Apartheid vai se fortalecendo e a cada governo tornando-se um sistema ainda mais radical. Os negros só podiam sair de seus guetos se tivessem o passe livre e só podiam trabalhar para os brancos sem condições de romper com este contrato. Neste momento tanto os boers quanto os ingleses lucravam com o Apartheid. E os ingleses poderiam assim fortalecer ainda mais o imperialismo através do capitalismo industrial que era financiado pelo capital sul-africano (oriundo das reservas diamantíferas e ouriferas).
Nas eleições em que o candidato a presidente Jan Strijddon foi eleito o regime do Apartheid se endureceu ainda mais e após a sua morte, sendo substituído por Hendrick Verwoerd, o racismo conseguiu ultrapassar os limites do extremismo. O Apartheid cada vez mais se fundamentava no racismo de forma que acabou sendo o único regime político em que este preconceito era legitimado por códigos de leis.
A economia deste sistema baseava-se na extração do capital através da exploração da mão-de-obra negra. Os negros ganhavam bem menos que os brancos, e trabalhavam bem mais. Com o descobrimento das minas o capital industrial, que antes retirava sua acumulação da comercialização de produtos manufaturados, coloca estes em segundo plano e passa a se dedicar a extração de diamantes e metais como atividade principal.
As empresas estatais mantiveram-se na mão dos africânderes, mesmo após a exploração dos minérios e pedras preciosas, desde 1948, com a tomada de poder pelo Partido Nacional (PN). E o sistema capitalista implementado no país achou nesta mão de obra negra, uma forma barata de aumentar sua produção e lucrar cada vez mais. Assim, as indústrias de base que sustentavam a economia sul-africana poderiam ser mantidas.
As diferenças raciais foram juridicamente codificadas de modo a classificar a população de acordo com o grupo a que pertenciam. A segregação assumiu enorme extensão atingindo todos os espaços e relações sociais.
No ano de 1958 os partidos nacionalistas compostos por negros foram proibidos e a educação nas escolas teve como agregada o ensino de línguas vernáculas com o intuito de diminuir e fragmentar a resistência. Os negros e suas organizações começaram a pensar em um modo de tornar seus guetos e suas terras em um país independente do restante das terras dos brancos. Sendo que entre 1970 e 1980 a situação já fugia do controle estatal.
Diante disso o Presidente deste período, Pieter Botha, teve que revogar algumas leis raciais, para amenizar a dureza do sistema. Dentre elas a que proibia a liberdade de ir e vir dos negros pelo país, a Lei do Controle de Fluxo, eles poderiam morar, a partir de então, em qualquer território da África do Sul, não só nos guetos, entre outras concessões, demonstrando a partir de então um inicial enfraquecimento do Apartheid.
Aconteceram várias ações populares de resistência. Em fins da década de 40 o Congresso Nacional Africano (CNA) que já existia desde 1912, preparou-se para as diversas campanhas de resistência africana contra o apartheid, contando com Nelson Mandela como secretário geral e presidente. Durante 1952 foi organizado uma extensa Campanha de Desobediência às leis do apartheid, porém, a Campanha não teve o retorno desejado.
A violência contra o povo negro, nos anos de 1950 a 1970, aumentou levando milhares de pessoas à prisão. Contudo, foi criado o Congresso do Povo, que aprovaria um dos mais importantes documentos que mostrava o desejo do povo africano com relação ao futuro político na África do Sul. Esse documento ficou conhecido como a Carta da Liberdade.
Na década de 60, depois de uma manifestação popular, cerca de 69 pessoas foram mortas pela polícia, obrigando o CNA a mudar sua tática de combate, tática essa, que de pacífica passa a ser armada, tentando assim conseguir a libertação nacional. Várias lideranças do CNA foram presas, inclusive Nelson Mandela. Durante os anos 70, a África do Sul sofreu inúmeras revoltas sociais da maioria negra, sendo estas sempre reprimidas pelo governo sul-africano. Porém as revoltas se intensificaram juntamente com a pressão internacional.
Em 1989, Frederic. W de Klerk assume a presidência da África do Sul, sendo que em 1990, mudanças significativas conduzem o fim oficial do Apartheid. Neste mesmo ano, o líder negro Nelson Mandela, que desde 1964 cumpria pena de prisão perpétua, é posto em liberdade. Em 1993, Mandela é eleito presidente da África do Sul através de eleições livres e governa de 1994 a 1999, sendo responsável pelo fim do regime segregacionista.
O termo "crime de apartheid" que deve incluir práticas de segregação e discriminação racial e políticas similares, como as praticadas na África do Sul, deve aplicar-se aos atos desumanos cometidos com o propósito de estabelecer, e manter a dominação de um grupo racial de pessoas sobre qualquer outro grupo racial, e a opressão sistemática destas. Negando o direito à vida e a liberdade individual.
Agressões mentais ou corporais, prisão arbitrária ou ilegal, enfim, qualquer medida legislativa calculada para evitar que um grupo ou grupos raciais participem da vida política, social, econômica ou cultural de um país é crime. Após o Apartheid, a ONU, preocupa-se bastante com esses tipos de intolerância, e vem promovendo ações sociais no mundo para evitar que novos Apartheid ocorram.
A criação deliberada de condições que evitem o desenvolvimento completo de um grupo ou grupos raciais, em praticar seus costumes, governo, crenças, cultura e vida social, através da negação dos direitos e liberdades humanas são deliberadamente proibidas. Incluindo o direito ao trabalho, o direito de formar uniões comerciais, o direito a educação, o direito a deixar e retornar a seu país, o direito a uma nacionalidade, o direito a liberdade de opinião e expressão, o direito a junções e associações livres e pacíficas a membros de grupos raciais, etc.
Todas estas práticas na África do Sul, desde o governo de Mandela em 1994, já estão em vigor neste país. Mesmo que o Apartheid ainda tenha deixado resquícios físicos, econômicos, sociais e culturais, ele não é mais um regime outorgado ou validado por leis. Sendo assim, não existe mais de forma legal entre os sul-africanos.
É importante considerar que o Apartheid já está findado, mas sua ideologia ainda persiste na mentalidade do povo africano, principalmente nos mais antigos. Não é fácil esquecer quase cem anos de segregação e preconceito. E ainda hoje se pode ver as mazelas do Apartheid deixadas na África do Sul, que vem tentando se reerguer desde o século XX.
Dentre elas podem-se destacar as seguintes: A desigualdade social e econômica que ainda é bastante visível neste território. Sendo que, mesmo a população negra sendo a maior do país, ainda é a que sofre mais com o desemprego, cerca de 5,5% da população branca está desempregada em detrimento a 37% da população negra. Os lares chefiados por mulheres em 1995 correspondiam a 50% da população pobre, sendo que desses 50%, 35% já estavam desempregados, e o restante com subempregos.
Quando o CNA em 1994 assumiu o governo teve que lidar com uma série de dificuldades, como a dívida pública deixada pelos governos do Apartheid, e a má qualificação profissional da maioria negra que ainda hoje habita o país. Assim, ao assumir o governo o índice de desemprego aumentou mais de 12% do que já existia. O CNA implementou uma política econômica denominada GEAR (Growth, Employment and Reconstruction). Esta política, ainda não foi eficiente para recuperar o país.
Entre os anos de 1996 a 1999, o aumento do emprego informal chegou a 84%, mas ainda não foi suficiente para aumentar e estabilizar o PIB da África do Sul. O GEAR ainda tentou trazer a reforma agrária para o país, na tentativa de distribuir as terras de forma igualitária tanto para brancos quanto para negros, o que de fato não ocorreu.
Ainda há mais um problema que assola a África do Sul pós Apartheid que é a AIDS. Esta vem se alastrando por todos os setores do país. E o sul-africano recusa-se a aceitar o uso farmacêutico para esta doença, alegando ser uma forma de racismo. O que acontece é que crianças, idosos, jovens, mulheres e homens têm suas vidas ceifadas por esta doença que já é uma epidemia em todo o país.


BIOGRAFIAS DA RESISTÊNCIA


Nelson Mandela:

Nascido em Qunu em 18 de julho de 1918, formou-se em Direito e desde cedo se mostrou interessado em atividades políticas. Em 1942 se ingressa no Congresso Nacional Africano (CNA) um movimento contra o Apartheid.
Durante a década de 50, Nelson Mandela foi um dos principais membros do movimento anti - apartheid. Participou da divulgação da Carta da Liberdade em 1955, documento pelo qual defendia um programa para o fim do regime segregacionista e que mostrava o interesse da maioria negra pelo futuro político, social e econômico do país.
Mandela que sempre defendeu a luta pacífica contra o Apartheid acabaria mudando de posição depois do massacre de manifestantes em 1960, onde aproximadamente 69 pessoas foram mortas pela polícia sul-africana. Daí então Mandela passou a defender a luta armada contra o sistema.
Em 1962, foi preso e condenado a cinco anos de prisão, porém, em 1964, Mandela foi novamente julgado e desta vez condenado a prisão perpétua. Mandela permaneceu preso de 1964 a 1990. Mesmo na prisão conseguiu enviar cartas para organizar e incentivar a luta contra este regime de segregação.
Em 11 de fevereiro de 1990, o então presidente da África do Sul, Frederik de Klerk, com o aumento das pressões internacionais, solicitou a libertação de Mandela e a legalidade do CNA.
Em 1994, Mandela tornou-se o primeiro presidente negro sul-africano, governando o país até 1999 sendo responsável pelo fim do regime segregacionista do Apartheid. Com isso Nelson Mandela tornou-se um símbolo da luta anti-apartheid na África do Sul.


Algumas frases de Nelson Mandela:

- "Sonho com o dia em que todas as pessoas levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos."
- "Uma boa cabeça e um bom coração formam uma formidável combinação."
- "A educação é a arma mais forte que você pode usar para mudar o mundo."
- "A luta é a minha vida. Continuarei a lutar pela liberdade até o fim de meus dias."


Steve Biko:

Nascido em King William em 18 de dezembro de 1946, ainda estudante de Medicina na Universidade de Natal torna-se um ativista estudantil. O seu envolvimento intenso com a luta contra o Apartheid faz com que Biko tenha um mau desempenho nos estudos, tendo que abandonar a faculdade de medicina para seguir seus ideais de liberdade.
Biko foi um dos fundadores do Movimento Consciência Negra, defendendo que o principal na luta contra o apartheid era a luta dos negros, a sua organização e mobilização, combatendo a dependência e tentando incutir na consciência do povo negro que todos são capazes, independente de classe, sexo, religião, raça, procurando mostrar que todos são iguais.
Em 1973, como era um ativo participante da luta contra a segregação racial, foi proibido de fazer discursos e de sair da cidade. Não obstante a repressão de que era vítima, Biko criou em 1975 um fundo de apoio aos presos políticos e às suas famílias. Depois de ser perseguido e preso por diversas vezes. Foi apanhado pela última vez em 1977, onde morreria na prisão depois de ter uma hemorragia cerebral decorrente de bárbaras torturas e a agressões. O governo deu várias versões para sua morte, tais como: greve de fome e suicídio (segundo as autoridades, Biko teria batido a cabeça por várias vezes na parede).
O assassinato de Biko tornou-se símbolo da brutalidade do regime segregacionista, sendo sua história conhecida pelo mundo através da música (em 1980, Peter Gabriel um músico britânico editou um álbum que incluía a canção "Biko", que se tornou um hino mundial contra o Apartheid e que foi posteriormente cantada por outros artistas), livros e filmes (Grito de Liberdade de Richard Attenborough). Em 1997, no vigésimo aniversário da sua morte, Nelson Mandela fez o seu elogio e inaugurou uma estátua em sua memória. Actualmente existe na África do Sul a Fundação Steve Biko que é presidida pelo seu filho Nkosinati Biko.

Frase de Steve Biko:

- "A arma mais poderosa nas mãos do opressor é a mente do oprimido"



Trabalho em equipe apresentado à disciplina de História da África II do curso de História Bacharelado e Licenciatura da Universidade Católica do Salvador.
Membros: Danilo Santana, Ana Catarina, Nilvane Morais, Joanan Marques e Edileusa Vida.



Referências:

LOPES, Marta Maria. O Apartheid.São Paulo: Atual Editora,1990.

M’BOKOLO, Elikia. As preaticas do apartheid. In: FERRO, Marc (org). O livro negro do colonialismo. São Paulo: ediouro, 2004.

MENDONÇA, Maria Gusmão de. Um caso particular: dilemas da África do sul contemporânea In: História da África. São Paulo: LTCE Editora, 2008.

PEREIRA, Francisco José. Apartheid: O Horror branco na África do Sul.São Paulo: Brasiliense.

SERRANO, Carlos, e WALDMAN, Mauricio. Memória D´África. A temática africana em sala de aula. São Paulo: Cortez, 2007, pp. 263: 268.

DIGA NÃO A SEGREGAÇÃO RACIAL!!!

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